
A incidência e mortalidade por câncer de intestino tem apresentado, no mundo todo, uma tendência ao crescimento, em especial em países em desenvolvimento e áreas urbanas de países menos desenvolvidos. No Brasil, com aumento da expectativa de vida da população, as neoplasias vêm ganhando cada vez mais importância no perfil de morbidade e mortalidade.
Fatores de risco e de proteção
Estima-se que, em até 75% dos casos, o Câncer de intestino possa ser classificado como esporádico, isto é, de caráter não familiar e resultante da ação cumulativa de agentes carcinógenos mais ou menos conhecidos sobre a mucosa intestinal. Entre os fatores relacionados ao seu desenvolvimento, encontram-se a idade (sendo a maioria dos casos diagnosticada após os 60 anos). E dietas pobres em frutas, verduras e legumes e ricas em gordura animal (o que pode ser responsável por 66 a 75% dos casos de câncer de cólon e reto). Alem destes, indivíduos com história de parentes de primeiro grau com adenomas diagnosticados antes dos 60 anos de idade; história pessoal pregressa de adenomas ou câncer de mama, ovário ou endométrio; e portadores de colite ulcerativa crônica ou doença de Crohn também apresentam risco aumentado de desenvolverem câncer de intestino. Cerca de 7% dos casos de câncer estão associados a algumas condições hereditárias, como a polipose adenomatosa familiar e o câncer colorretal hereditário sem polipose.
O baixo nível de atividade física é um dos fatores mais reconhecidos como associado ao incremento no risco de desenvolvimento do câncer do intestino. Sua prática regular pode diminuir o risco de doença em até 50%. O mecanismo responsável por este efeito parece estar relacionado à diminuição do tempo de trânsito intestinal, minimizando assim o cantato de carcinógenos com as células do intestino. Algumas hipóteses sustentam ainda que a atividade física poderia alterar os níveis de prostaglandinas, melhorar o sistema imunológico e modificar o metabolismo dos ácidos biliares.
No tocante a dieta, a gordura animal tem sido apontada como uma das grandes vilãs. Existem evidências consideráveis de que um alto consumo de carnes vermelhas pode aumentar o risco de desenvolvimento do Câncer de intestino. Vários mecanismos tem sido propostos para explicar essa associação, como a presença de ácidos graxos específicos contidos nesses alimentos e a substâncias formadas durante o preparo das carnes em altas temperaturas como as aminas e hidrocarbonetos aromáticos.
Ao contrário, o alto consumo de frutas, verduras e fibras podem ter um papel protetor no desenvolvimento do Câncer de intestino. Esse efeito pode ser justificado pelo teor de nutrientes e outras substâncias podem inibir a formação de carcinógenos, agir como substratos para a produção de anticarcinógenos, reduzir a capacidade de proliferação de células e agir como antioxidantes. O alto consumo desses alimentos pode ainda aumentar o bolo fecal e diminuir o tempo de trânsito intestinal e assim, minimizar o contato entre a mucosa e substâncias potencialmente carcinogênicas.
Estudos mostram que o risco no desenvolvimento do câncer do intestino pode ser duas vezes maior em indivíduos que consomem bebidas alcoólicas em excesso. A exposição ao cigarro também pode aumentar o risco de desenvolver a doença, principalmente em caso de consumo por longos períodos de tempo.
A obesidade também parede aumentar o risco de desenvolvimento de pólipos adenomatosos e a progressão dos mesmos para malignidade. O acúmulo de grande quantidade de gordura abdominal parece estar associado mais fortemente a esse risco. É sugerido que a insulina e outros fatores relacionados ao crescimento sejam responsáveis pela influência positiva da obesidade no risco de câncer de intestino.
Finalmente, é importante reconhecer que medidas dietéticas e comportamentais podem ter influência direta na diminuição do risco para o desenvolvimento do câncer colorretal. A adoção de hábitos saudáveis de vida, evitando o cigarro e o álcool, pode causar grande impacto na redução da incidência desta doença com benefícios pessoais, sociais e econômicos.
RASTREAMENTO E PREVENÇÃO
A alta incidência do câncer de intestino e a diferença dos resultados do tratamento de acordo com o estádio da doença justificam os esforços de diagnóstico precoce e de seu rastreamento em população considerada de risco para a doença. Por rastreamento entende-se a aplicação de provas simples e de fácil execução na população com o objetivo de selecionar indivíduos que embora assintomáticos, devem submeter-se a métodos diagnósticos mia específicos e de maior complexidade para a detecção de adenomas e de câncer em fase inicial. O objetivo do rastreamento não é diagnosticar mais pólipos ou mais lesões planas, mas sim, diminuir a incidência e mortalidade por câncer do intestino na população alvo do rastreamento em relação a uma população-controle não rastreada.
O protocolo de rastreamento para o câncer do intestino mais utilizado para população de risco baixo ou moderado é a realização anual da pesquisa de sangue oculto nas fezes, seguida da colonoscopia ou retossigmoidoscopia nos indivíduos com resultado positivo. As evidências científicas até o momento apontam para o inicio do rastreamento para o câncer do intestino com pesquisa de sangue oculto nas fezes a partir dos 50 anos de idade.