
É de conhecimento de todos o fato de que o consumo em grande quantidade de bebidas alcoólicas afeta órgãos como o fígado, pâncreas, sistema nervoso central e periférico. Mas, além destes órgãos, devemos-se lembrar que o coração também sofre conseqüências do uso abusivo de bebida alcoólica.
Um exemplo da interação etilismo – coração é a elevação da pressão arterial sistêmica, fator de risco importante para desenvolvimento de cardiopatias, com o uso excessivo de álcool. Esta elevação é transitória, revertendo-se após uma semana de abstinência. Porém o uso crônico de bebidas alcoólicas leva 30% dos alcoólatras a manterem-se continuadamente hipertensos. Esta ação do álcool está relacionada a quantidade ingerida – na verdade, doses menores que 60g de etanol reduzem a pressão arterial, ocorrendo o inverso com doses maiores.
Outra relação comum com o uso de bebidas alcoólicas é o surgimento de arritmias cardíacas. A Síndrome cardíaca do feriado é um evento que os cardiologistas sempre deparam, no qual após libação alcoólica intensa em momentos de lazer, o indivíduo apresenta taquicardia, principalmente do tipo fibrilação atrial, necessitando muitas vezes internação hospitalar e medidas agressivas para o tratamento, devido riscos inerentes à arritmia.
Também é preocupante no alcoólatra o desenvolvimento de insuficiência cardíaca, com dilatação do coração, que torna-se “fraco”, levando a sintomas como falta de ar para esforços ou mesmo deitado, fadiga, inchaço nas pernas.
Contudo, devemos lembrar que o consumo de bebidas alcoólicas em dose moderada, principalmente o vinho tinto, exerce efeito protetor sobre o coração, com redução do risco de morte por doença cardíaca isquêmica ( infarto do miocárdio, angina ). O consumo diário de doses moderadas de vinho tinto pode ser a explicação do chamado paradoxo francês, fenômeno observado na França, país onde, apesar do consumo de grandes quantidades de colesterol na dieta sob a forma de queijos, frios e patês, a incidência de eventos cardiovasculares é relativamente baixa.
Apesar deste potencial efeito cardioprotetor do consumo moderado do álcool, a relação risco / benefício do consumo de bebidas alcoólicas deve ser analisada individualmente, levando-se em conta a possibilidade de abuso em pacientes com história prévia ou perfil de etilismo. Devemos lembrar também que mesmo o consumo moderado de álcool aumenta a incidência de câncer de intestino e de mama.
Como visto, o consumo de álcool é de maneira geral prejudicial ao coração e a diversos outros órgãos. Lembramos também dos graves problemas sociais, de acidentes e violência causados pelo etilismo abusivo. Por tudo isso, a orientação mais prudente é não iniciar o hábito etílico, e para aqueles que já adquiriram tal hábito, fazê-lo sempre com moderação.